O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou um balanço positivo sobre o andamento das eleições deste ano durante pronunciamento realizado na tarde deste domingo, 4 de outubro. Segundo o magistrado, o processo de votação transcorre dentro da normalidade, sem o registro de incidentes graves que pudessem comprometer a legitimidade ou a fluidez do exercício democrático em todo o território nacional.
Durante entrevista coletiva concedida na sede do tribunal, em Brasília, Nunes Marques enfatizou que, faltando poucas horas para o encerramento oficial da votação, o sistema tem demonstrado robustez. O ministro reforçou que a transparência tem sido o pilar central da jornada eleitoral, permitindo que os cidadãos exerçam seu direito ao voto com segurança e tranquilidade.
Monitoramento de ameaças e integridade do processo
Um dos pontos centrais da fala do ministro foi o afastamento de qualquer suspeita de interferência externa no sistema eleitoral brasileiro. De acordo com Nunes Marques, relatórios produzidos pela Polícia Federal (PF) e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não apontaram indícios de ataques coordenados por agentes estrangeiros ou grupos ligados ao crime organizado.
O magistrado destacou que o monitoramento é constante e envolve diversos órgãos de segurança e inteligência. Até o momento, não foram identificadas ameaças concretas que pudessem colocar em risco a soberania do pleito. Essa vigilância rigorosa visa garantir que a vontade do eleitor seja preservada sem influências indevidas de atores externos ao processo democrático.
Desempenho das urnas eletrônicas e combate às deepfakes
A infraestrutura tecnológica das eleições também foi alvo de elogios por parte da presidência do TSE. O ministro informou que o índice de substituição de urnas eletrônicas foi extremamente baixo, atingindo apenas 0,2% do total de equipamentos distribuídos. Das 499.248 urnas em operação, apenas 1.121 precisaram ser trocadas por modelos de contingência, garantindo que nenhum local de votação precisasse recorrer ao método manual.
Outra preocupação da justiça eleitoral, o uso de inteligência artificial para a criação de deepfakes, não resultou em ocorrências de impacto significativo. O ministro ressaltou que o temor de uma disseminação massiva de vídeos manipulados não se concretizou de forma a desestabilizar o pleito, o que demonstra a eficácia das medidas preventivas adotadas pelo tribunal.
Fiscalização policial e registros de crimes eleitorais
No campo da segurança pública, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) consolidou dados sobre as ocorrências registradas até o início da tarde. Foram contabilizados 313 crimes eleitorais e quatro crimes comuns. As ações de fiscalização resultaram na apreensão de R$ 108 mil em espécie, além de quatro armas e 13 veículos utilizados em atividades irregulares.
As principais infrações registradas pelas autoridades policiais foram:
- Propaganda eleitoral irregular (130 casos);
- Boca de urna (69 casos);
- Corrupção eleitoral;
- Transporte ilegal de eleitores.
Os estados com maior volume de ocorrências foram Minas Gerais, com 43 registros, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 36, e Sergipe, com 26. Ao todo, quatro prisões foram efetuadas em flagrante durante as operações de fiscalização realizadas pelas forças de segurança integradas.
Condições climáticas e interrupções de energia no Sul
Apesar da estabilidade geral, o estado do Paraná enfrentou desafios logísticos devido a condições climáticas adversas. Fortes chuvas e ventos atingiram a região na manhã de domingo, provocando a queda de energia elétrica em 140 municípios paranaenses. A situação exigiu uma resposta rápida das equipes técnicas para garantir a continuidade da votação.
Mesmo com os problemas na rede elétrica, o TSE garantiu que o processo não foi interrompido, uma vez que as urnas eletrônicas possuem baterias internas que permitem o funcionamento autônomo por várias horas.











