O governo brasileiro captou 5 bilhões de euros nesta quarta-feira (15) em uma emissão de títulos no mercado europeu.
Esta operação marcou o retorno do país a esse segmento após mais de dez anos de ausência.
A iniciativa, conduzida pelo Tesouro Nacional, foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Detalhes da captação e forte demanda
A emissão foi estruturada em três prazos distintos: títulos com vencimento em quatro, sete e dez anos.
O ministro Durigan antecipou os detalhes da operação durante sua agenda oficial em Washington, nos Estados Unidos.
A procura pelos papéis superou significativamente as expectativas do governo, demonstrando um forte interesse de investidores internacionais.
“Conseguimos uma captação histórica”, afirmou Durigan, ressaltando o sucesso do retorno ao mercado europeu.
Ele também mencionou os planos de prospectar novos mercados até o fim do ano.
Distribuição dos títulos
As estimativas de instituições financeiras indicam que a emissão foi dividida em três papéis.
Foram 2 bilhões de euros em títulos com vencimento em 2030, 1,5 bilhão de euros para 2033 e mais 1,5 bilhão de euros para 2036.
O Tesouro Nacional fornecerá detalhes sobre juros e spread posteriormente. A última emissão do governo brasileiro em euros ocorreu em 2014.
Estratégia da dívida pública
Esta operação é parte da estratégia do governo para administrar a dívida pública federal.
O objetivo é ampliar a presença do Brasil em diversos mercados e moedas globais.
Segundo o Tesouro, a emissão visa criar uma referência para títulos em euros, o que pode facilitar futuras captações de empresas brasileiras no exterior.
Os recursos obtidos serão prioritariamente usados para o refinanciamento da dívida pública federal, substituindo passivos já existentes.
Bancos coordenadores da operação
A operação foi coordenada por renomadas instituições financeiras internacionais.
Entre elas estão BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS.
A decisão de realizar a emissão foi tomada após reuniões do Tesouro Nacional com investidores, em um cenário de mercado internacional considerado favorável.
Projeções econômicas e o FMI
Durante sua agenda nos Estados Unidos, o ministro Durigan comentou a revisão da projeção de crescimento do Brasil pelo FMI.
A nova estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma alta de 1,9% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Apesar da melhora, Durigan destacou que o cenário global de juros elevados deve limitar o crescimento econômico nos próximos anos.
O compromisso do governo é estabilizar e reduzir a trajetória da dívida pública no médio e longo prazo.
Diferença na metodologia da dívida pública
O ministro abordou a projeção do FMI de que a dívida pública bruta do Brasil pode atingir 100% do PIB em 2027.
Ele ressaltou que as estimativas do Fundo são mais altas devido a uma diferença de metodologia em relação aos cálculos do governo brasileiro.
O FMI inclui na dívida bruta os títulos do Tesouro em poder do Banco Central, usados para regular a quantidade de dinheiro em circulação e definir a Taxa Selic.
Contrariamente, o governo brasileiro desconsidera esses papéis nas estatísticas oficiais da dívida pública.