“Tô dentro do busão às quatro da manhã. E amanhã é a mesma fita, o dia se repete, o looping é infinito. Já não reparo quando o dia tá feio ou bonito”.
MC Aline participa do Festival Quebradas na periferia do DF – Foto divulgação
Os versos da rapper brasiliense Aline Florêncio da Silva, conhecida como MC Aline, de 27 anos, ecoam a realidade das trabalhadoras periféricas. Sua arte traduz a busca pelo fim da extenuante jornada 6×1 e traz mensagens poderosas de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Festival Quebradas celebra a arte e a luta
MC Aline é uma das atrações do **Festival Quebradas**, um evento **gratuito** que ocorreu neste **sábado (30)** na região administrativa de Planaltina, a 50 km de Brasília. A artista, nascida e criada no local, encontrou nas batalhas de rima uma voz para sua comunidade e para a luta de suas vizinhas.
“Nós, mulheres do hip hop, passamos por muitas dificuldades desde sempre. Então a temática do feminismo tem que ser abordada”, afirmou a rapper. Ela defende que a arte é uma ferramenta poderosa para sensibilizar as pessoas sobre direitos sociais.
Proposta educativa e cultural
Ravena Carmo, de 36 anos, professora, poeta e pesquisadora das “quebradas”, é a organizadora do evento, que está em sua terceira edição. Ela espera que o festival, além do entretenimento, cumpra uma proposta educativa com entregas significativas às comunidades.
Os temas sobre direitos sociais e o enfrentamento à violência contra a mulher são pilares fundamentais do festival.
Atividades e lançamentos no evento
A programação do Festival Quebradas incluiu **oficinas de grafite e escrita criativa**, com atividades também **gratuitas** e voltadas para crianças. Um dos momentos mais esperados foi o lançamento de um livro de poesias contra o feminicídio, com textos enviados pela própria comunidade.
“Esse é um lançamento muito especial porque vamos contar com a presença da professora Vera Eunice de Jesus, filha da escritora Carolina Maria de Jesus”, destacou Ravena.
Além disso, foi lançada a revista “Saúde nas Quebradas”, desenvolvida com o apoio da Fiocruz. A publicação, resultado de um trabalho colaborativo de educação popular, aborda temas como a saúde mental, especialmente da juventude periférica.
O evento também contou com a **Batalha das Gurias**, um espaço para rimas e manifestações em diversos temas. O festival foi realizado na praça da pista de skate, o Half, na comunidade do **Jardim Roriz**, em Planaltina. Segundo a organizadora, “o festival não é apenas um evento de entretenimento, mas um manifesto de resistência”.