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Juros a 15% ao ano geram revolta: entenda o impacto da Selic para empresas e trabalhadores

Por NRB News
28 de janeiro de 2026
em Brasil
© CNI/Divulgação

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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada na quarta-feira (28), provocou uma forte reação negativa. Representantes da indústria, construção civil e entidades sindicais expressaram preocupação. Eles alertam para impactos severos no crescimento econômico, crédito e emprego no país.

Indústria critica Selic e pede redução imediata

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou que o patamar atual dos juros impõe um custo elevado à economia brasileira. A entidade argumentou que o Banco Central desconsiderou a recente desaceleração da inflação. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o ciclo de flexibilização monetária deveria ter sido iniciado.

Em nota, Alban afirmou que manter a Selic em nível insustentável prejudica a economia. Ele defendeu que a redução dos juros é indispensável já na próxima reunião do Copom. Isso evidencia um posicionamento firme da indústria.

Segundo a CNI, a inflação corrente e as expectativas inflacionárias convergem para o centro da meta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 fechou em 4,26%, abaixo do teto de 4,5%. Apesar disso, a taxa real de juros permanece em torno de 10,5% ao ano, significativamente acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central.

Construção civil e comércio alertam para restrições

Setor da construção prevê impacto no crédito imobiliário

O setor da construção civil também manifestou profunda preocupação com a manutenção da Selic. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, destacou que juros elevados restringem o crédito imobiliário. Isso, por sua vez, reduz a demanda por novos empreendimentos e dificulta a viabilização de projetos em todo o país.

Correia alertou que uma política monetária contracionista desacelera a atividade econômica. Ela afeta toda a cadeia produtiva, com reflexos prolongados sobre o emprego e a renda. O setor se mostra apreensivo com as consequências a longo prazo.

ACSP adota tom cauteloso sobre decisão do Copom

Em um posicionamento mais moderado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avaliou que a decisão do Copom reflete cautela. Essa postura é vista diante de incertezas fiscais e externas. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa observou que, apesar da desaceleração da atividade, a inflação e as expectativas ainda se mantêm acima da meta.

Para Gamboa, o comunicado oficial do Copom será decisivo para indicar se há sinalização de início do ciclo de cortes. A ACSP, portanto, aguarda os próximos passos do Banco Central com atenção. A expectativa é por mais clareza sobre o futuro da política monetária.

Centrais sindicais repudiam juros altos e veem prejuízo social

CUT denuncia Selic como penalidade à população

As centrais sindicais reagiram de forma mais contundente à decisão do Banco Central. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que a manutenção da Selic mantém o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais. Isso, segundo a entidade, penaliza diretamente a população.

Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), explicou que juros altos encarecem o crédito. Consequentemente, isso reduz o consumo e resulta em menos empregos para os brasileiros. A situação é vista como um obstáculo ao desenvolvimento social.

A CUT ainda aponta que cada ponto percentual da Selic acrescenta cerca de R$ 50 bilhões aos gastos públicos. Esse valor é direcionado para o pagamento de juros da dívida. A entidade ressalta o impacto negativo nas finanças públicas.

Força Sindical acusa irresponsabilidade social do Banco Central

A Força Sindical classificou a decisão do Copom como uma “irresponsabilidade social”. A entidade acusou o Banco Central de favorecer a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. Isso levanta questões sobre as prioridades da política monetária.

Para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, a política monetária atual restringe o crédito e eleva o endividamento das famílias. Ele também argumenta que ela trava o desenvolvimento econômico do país. A crítica é direcionada à estratégia do Banco Central.

Copom mantém Selic em nível recorde apesar das críticas

Apesar das intensas críticas do setor produtivo e das centrais sindicais, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva. A taxa de 15% ao ano é o maior nível desde 2006. Essa decisão alinha-se com a expectativa da maioria dos analistas de mercado.

O cenário que justifica a manutenção inclui uma inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos. O Banco Central, portanto, optou por uma abordagem cautelosa. A expectativa é de que o debate sobre os juros continue intenso.

Tags: créditoEconomiainflaçãojurosselic
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