A Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento cautelar de Maurício Couto Cesar Junior, presidente da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) e servidor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Mandados de busca e apreensão foram autorizados contra ele e outros funcionários da autarquia. A solicitação partiu do Ministério Público do Rio (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão a Sonegação Fiscal.
Investigação aponta esquema de corrupção
Ao todo, 14 mandados de busca e apreensão foram expedidos. Entre os alvos estão o ex-presidente do Inea, Renato Jordão Bussiere, e o ex-vice-presidente da autarquia, José Dias da Silva. Eles são investigados por corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e crimes ambientais.
As ações são parte de uma investigação sobre supostas irregularidades na concessão de licenças ambientais. Os mandados foram executados na terça-feira (7) por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência.
Irregularidades e favorecimentos
Segundo o MPRJ, decisões entre 2024 e 2025 no Inea e na Ceca favoreceram empreendimentos de alto impacto. Isso incluiu concessão de licenças de instalação e operação, além da dispensa de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima). Tais medidas ocorreram apesar de questionamentos das áreas técnicas do próprio Inea e do Ibama.
Medidas judiciais e apreensões
A 1ª Vara das Garantias da Comarca da Capital autorizou a quebra de sigilos de aparelhos eletrônicos. Maurício Couto Cesar Junior está proibido de acessar as dependências do Inea e de manter contato com outros servidores.
Durante a operação, um dos investigados foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e levado à 9ª Delegacia de Polícia. Foram apreendidos diversos itens: aparelhos celulares, HDs externos, notebooks, pen drives, um iPad e relógios. Também foram encontrados R$ 23.980, 4.440 euros e um revólver calibre 38.
Nome da operação
A operação foi batizada de Operação Hidra de Lerna, em referência à criatura mitológica. O nome alude à suposta ampla contaminação por corrupção dentro do órgão ambiental.