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STF amplia Lei Maria da Penha para todas as formas de violência contra a mulher

Por NRB News
19 de agosto de 2026
em Brasil
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (19) **ampliar significativamente o alcance da Lei Maria da Penha**, criada em 2006 para combater a violência contra as mulheres.

Com a nova interpretação, a lei deve ser aplicada pelos juízes para combater **toda forma de violência de gênero contra a mulher**. Anteriormente, sua aplicação era restrita a casos de violência doméstica, familiar ou em relações íntimas de afeto.

Novas aplicações da Lei Maria da Penha

A decisão do STF remove barreiras, permitindo que a Lei Maria da Penha seja invocada em qualquer contexto onde a violência seja motivada pelo gênero da vítima. Isso inclui situações que não se encaixavam nas definições anteriores de vínculo.

Além disso, a Corte estabeleceu que a lei deve ser aplicada para combater a **violência política de gênero contra candidatas** durante as eleições de outubro. A Justiça Eleitoral agora terá a competência para decidir sobre a concessão de medidas de proteção nesses casos.

Medidas protetivas disponíveis

A Lei Maria da Penha prevê diversas medidas de proteção à mulher, visando garantir sua segurança e integridade. Entre elas, destacam-se o **afastamento do agressor do lar**, a **proibição de aproximação** da vítima, o uso de **tornozeleira eletrônica** e a **decretação de prisão preventiva**.

O caso que motivou a decisão

A decisão unânime do STF **derrubou uma sentença da Justiça de Minas Gerais** que havia negado medidas protetivas a uma mulher. O motivo alegado era a inexistência de uma “relação íntima de afeto” entre ela e seu vizinho.

No processo, a vítima relatou que o vizinho acreditava ter um relacionamento amoroso com ela e, diante da recusa, passou a ameaçá-la constantemente. A situação evoluiu para crises de ansiedade e pânico na mulher, com o agressor chegando a ameaçar sua vida caso não fosse correspondido.

Posicionamento dos ministros

O voto do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, foi o que prevaleceu no julgamento. Ele argumentou que a violência contra a mulher é um **fenômeno estrutural**, resultado da desigualdade histórica entre os gêneros.

Fachin destacou que “a proteção convencional não se restringe ao vínculo de afeto entre agressor e vítima, mas **alcança qualquer interação em que a violência esteja fundada no gênero**”.

O ministro Flávio Dino sugeriu a inclusão da violência política de gênero, ressaltando o dilema enfrentado por candidatas. Já a ministra Cármen Lúcia, única mulher na Corte, afirmou que “**quem ama não mata**” e que o feminicídio é um ato de poder e dominação.

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