A cidade de Macaé encerrou nesta semana a sua primeira Conferência de Cuidados Paliativos, consolidando um passo decisivo para a estruturação da assistência humanizada na rede municipal de saúde. O evento reuniu especialistas e profissionais de diversas áreas para debater a integração da Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída pelo Ministério da Saúde em 2024, ao cotidiano das unidades de saúde locais.
Recomendado para você
O objetivo central da iniciativa é oferecer um cuidado integral a pessoas que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida. Diferente do que muitos acreditam, essa assistência não se limita ao fim da vida, mas foca no alívio do sofrimento físico, emocional, social e espiritual, podendo ser aplicada em conjunto com tratamentos curativos em diferentes pontos da rede de saúde.
Implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos em Macaé
A estruturação dessa modalidade de atendimento em Macaé segue as diretrizes nacionais para organizar a assistência no SUS. Atualmente, o Hospital Público Municipal (HPM) já realiza práticas de cuidados paliativos, mas o município trabalha para expandir e integrar esses serviços a toda a rede.
O cronograma de avanços na área inclui marcos importantes nos últimos anos:
Recomendado para você
- Realização do primeiro simpósio municipal sobre o tema;
- Criação da Comissão Municipal de Cuidados Paliativos em caráter permanente;
- Aprovação da cartilha municipal de orientações;
- Realização da conferência para alinhamento técnico e administrativo.
Segundo a médica Sylvia Christina Câmara Gama Costa, responsável pelo setor no HPM, a nova política propõe mudanças profundas na assistência. Ela destaca que a equipe deve avaliar e tratar sintomas complexos, como a dor crônica, sem perder de vista as necessidades familiares e sociais de cada indivíduo.
Abordagem multiprofissional e foco na dignidade do paciente
Um dos pontos altos do debate foi a contribuição da reabilitação no processo de cuidado. O fisioterapeuta Sandro Leonard Machado Duque explicou que as intervenções devem ser adaptadas às condições clínicas e prioridades do paciente, priorizando sempre o conforto e a manutenção da autonomia possível dentro do quadro de saúde.
A conferência também abordou temas sensíveis e especializados, como:
- Assistência a crianças com condições crônicas complexas;
- Aplicações clínicas da Terapia da Dignidade;
- Suporte psicológico e neuropediátrico especializado.
A integração do Polo Municipal de Oncologia nas discussões reforça a necessidade de um atendimento preparado em todas as etapas da doença. Anderson Campos, coordenador do Polo, afirma que ampliar esse conhecimento permite que as equipes alinhem condutas e compreendam melhor o paciente oncológico de forma sistêmica.
Futuro da assistência humanizada na rede municipal
Para a coordenadora municipal de Cuidados Paliativos, Paloma Soares, a conferência é uma etapa fundamental para organizar a rede e definir fluxos de atendimento. O desafio agora é fortalecer a atuação multiprofissional e garantir que o diálogo entre os diferentes serviços de saúde seja fluido e eficiente.
A consolidação desta política em Macaé representa um avanço na qualidade de vida dos usuários do sistema público, garantindo que o cuidado técnico seja acompanhado de empatia e respeito à história de cada paciente. Para mais informações sobre as diretrizes nacionais, acesse o portal do Ministério da Saúde.











