A cidade de Maricá deu um passo importante no fortalecimento da autonomia feminina ao realizar, na última sexta-feira (2/10), o terceiro módulo do projeto Workshop Gestão para Resultados. O evento, que reuniu dezenas de participantes, concentrou-se em um dos maiores desafios da contemporaneidade: a administração eficiente das horas em um cenário de múltiplas jornadas de trabalho e cuidados domésticos.
Promovido pela Secretaria de Políticas e Defesa dos Direitos das Mulheres, o encontro teve como tema central a “Gestão do Tempo para Resultados Positivos”. A iniciativa busca não apenas oferecer ferramentas técnicas de produtividade, mas também promover uma reflexão profunda sobre como a organização do cotidiano impacta diretamente a saúde mental e o bem-estar das mulheres maricaenses.
Foco na distinção entre urgência e importância
A condução das atividades ficou a cargo da pedagoga empresarial Claudia Garcia, que utilizou metodologias de gestão corporativa adaptadas à realidade social. Durante a dinâmica, Garcia enfatizou que o tempo deve ser encarado como um recurso finito e extremamente valioso. Um dos pontos altos da capacitação foi o treinamento para que as participantes consigam diferenciar tarefas urgentes de tarefas importantes.
Segundo a especialista, a incapacidade de priorizar o que é essencial acaba gerando um ciclo vicioso de reatividade, onde a mulher apenas “apaga incêndios” ao longo do dia. A organização da rotina, portanto, surge como uma estratégia de defesa contra o esgotamento. Ao definir prioridades claras, é possível reduzir a sobrecarga cognitiva e física que acompanha o acúmulo de funções na sociedade atual.
Enfrentamento da sobrecarga e dos múltiplos papéis sociais
O workshop abordou de forma sensível a realidade das mulheres que conciliam carreira, maternidade e cuidados com o lar. A discussão mediada por Claudia Garcia permitiu que as presentes compartilhassem experiências sobre a pressão estética e social de serem produtivas em todas as esferas simultaneamente. A proposta pedagógica visou desconstruir o mito da “mulher maravilha”, incentivando a delegação de tarefas e o estabelecimento de limites saudáveis.
A gestão do tempo, neste contexto, é apresentada como uma ferramenta de libertação. Ao dominar técnicas de planejamento, a mulher conquista espaços de lazer e autocuidado que frequentemente são sacrificados. De acordo com dados da ONU Mulheres, a carga de trabalho não remunerado é um dos principais entraves para a ascensão profissional e o desenvolvimento pessoal feminino no Brasil.
Políticas públicas como ferramenta de qualidade de vida
A secretária de Políticas e Defesa dos Direitos das Mulheres, Ingrid Bastos, destacou que o papel do poder público é fornecer o suporte necessário para que essas transformações ocorram. Para a gestora, falar sobre organização e prioridades é, fundamentalmente, falar sobre qualidade de vida. Muitas vezes, as necessidades básicas das mulheres acabam ficando em segundo plano devido à urgência das demandas alheias.
Bastos reiterou que esses momentos de troca são vitais para a construção de uma rede de apoio local. O workshop não se encerra na teoria; ele oferece instrumentos práticos que podem ser aplicados imediatamente na vida doméstica e profissional. A meta da prefeitura é continuar expandindo esses módulos, garantindo que mais cidadãs tenham acesso a conhecimentos que promovam uma rotina mais equilibrada e menos exaustiva.











