O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, anunciou que a corte concentrará esforços para mitigar a abstenção de eleitores no segundo turno das eleições de 2026. Em pronunciamento realizado após o encerramento da primeira etapa do pleito, o magistrado destacou a necessidade de aprimorar os canais de diálogo com a população para garantir uma participação democrática mais expressiva na fase decisiva.
De acordo com os dados consolidados pelo sistema de totalização do tribunal, o primeiro turno registrou um índice de abstenção de 21,08%. Esse percentual equivale a aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros que, embora aptos, não compareceram às urnas. O tribunal agora analisa as causas geográficas e sociais desse fenômeno para direcionar as ações de incentivo e comunicação institucional.
Justiça Eleitoral registra maior índice de ausência desde 1998
O volume de faltas verificado neste ano representa uma marca histórica para a democracia brasileira. O índice de 21,08% é o mais alto registrado em eleições gerais desde 1998, período em que a abstenção atingiu 21,5%. Na última eleição presidencial, em 2022, o número de eleitores que deixaram de votar foi ligeiramente menor, fixando-se em 20,95%.
Além dos ausentes, o balanço do TSE revelou que 2,2 milhões de cidadãos optaram pelo voto em branco, enquanto 3,6 milhões anularam o voto. No total, o comparecimento efetivo foi de 125 milhões de pessoas, de um colégio eleitoral composto por 158,7 milhões de eleitores aptos. Esses números reforçam o desafio logístico e de engajamento enfrentado pelas instituições brasileiras.
Planos para ampliar a participação popular na votação decisiva
Para o segundo turno, que definirá a presidência da República entre os candidatos Flávio e Lula, o TSE pretende intensificar o uso de tecnologias e campanhas de utilidade pública. Kassio Nunes Marques enfatizou que o tribunal buscará intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis para reduzir o percentual de faltosos, visando uma legitimidade ainda maior do resultado final.
A estratégia inclui reforçar a segurança do processo e a facilidade de acesso aos locais de votação. O tribunal também monitora o impacto de questões técnicas, como o congestionamento no sistema de dados que causou atrasos na apuração em algumas regiões, garantindo que tais intercorrências não desestimulem o cidadão de exercer seu direito constitucional no dia da votação final.
Ausência de interferências externas e estabilidade do sistema
Apesar das preocupações com a abstenção, o presidente do TSE reiterou que o processo eleitoral transcorreu sob absoluta normalidade institucional. Segundo o magistrado, não foram detectados alertas de interferência externa ou ameaças à integridade das urnas eletrônicas. A estabilidade e a transparência do sistema são vistas como fatores positivos para atrair o eleitor indeciso ou desmotivado.
A Justiça Eleitoral reafirma que o voto é o pilar fundamental da soberania popular. Com a polarização definida para a rodada final, a expectativa dos analistas e do próprio tribunal é que o interesse público aumente, reduzindo a lacuna deixada pelos milhões de brasileiros que se ausentaram no início de outubro. Mais informações sobre o calendário e locais de votação podem ser consultadas no portal oficial do Tribunal Superior Eleitoral.











