O programa “Caminhos da Reportagem” aborda a discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil. A edição “Escala 6×1: um País Cansado” explora os impactos do modelo atual e as propostas para uma nova realidade com mais folgas.
Você pode assistir à reportagem na segunda-feira (18), às 23h, na TV Brasil.
O debate nacional pela redução da jornada
Desde 2015, o fim da escala de seis dias de trabalho para um de folga (6×1) está em debate no Congresso Nacional. A discussão ganhou força nas ruas, com movimentos sociais e o governo federal pressionando por mudanças.
Um projeto de lei foi enviado ao Congresso neste ano, buscando alinhar o país a experiências internacionais que apontam para mais tempo de vida e descanso para os trabalhadores.
A proposta do governo federal
Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a pauta principal é a redução da jornada máxima de 44 horas para 40 horas semanais. A proposta inclui duas folgas por semana e, crucialmente, sem perda de salário.
Marinho enfatiza que a negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores será fundamental para organizar a nova grade de jornada.
O impacto da escala 6×1 na vida real
A reportagem destaca a história de Otoniel Ramos da Silva, porteiro no Rio de Janeiro. Ele trabalha de segunda a sábado e gasta, em média, duas horas para ir e duas para voltar do trabalho em cada dia.
Otoniel compartilha que o trajeto é o que mais o cansa, transformando o domingo em seu único dia de descanso. Um estudo coordenado por Renata Rivette, da Reconnect, aponta que a escala 6×1 impacta negativamente a felicidade, gerando exaustão física e mental.
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Empresas inovadoras apostam em novas escalas
Hplus: 5×2 para mais bem-estar
A rede hoteleira Hplus, com 18 hotéis no Brasil, está implementando a escala 5×2 para seus funcionários, mantendo a jornada de 44 horas. A proprietária, Paula Faure, aposta nos benefícios para a equipe e para os negócios.
A expectativa é reduzir atestados e a alta rotatividade, que chega a 50% ao ano. Diminuir o turnover significa menos tempo e custos com recrutamento e treinamento.
Coffee Lab: da 5×2 para a 4×3
Em São Paulo, a Coffee Lab, fundada em 2004, começou com a escala 5×2. Após participar do desafio Four Day Week Global, a empresa adotou a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
A proprietária, Isabela Raposeiras, relata melhorias operacionais, financeiras e no clima organizacional. Os funcionários estão mais concentrados, com menos erros e um turnover baixíssimo de 8%.
Para o barista Claudevan Leão, ter três dias de folga permite um descanso completo, tanto mental quanto físico, reforçando a importância de uma vida equilibrada fora do trabalho.
A visão da indústria e os desafios
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifesta apreensão em relação à redução da jornada. Paulo Afonso Ferreira, presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da CNI, alerta para o possível aumento de custos, que recairia sobre o consumidor.
A CNI defende que qualquer mudança seja fruto de acordos entre sindicatos laborais e patronais, e não uma imposição. O pesquisador Fernando de Holanda Barbosa, da FGV Ibre, também expressa preocupação com a redução da carga total de trabalho e sua possível influência na produção.