A Plenária de decanos e diretores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reuniu-se na terça-feira (29/9) para discutir avanços cruciais na graduação, gestão e avaliação institucional. O encontro, sediado no Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), serviu como palco para a apresentação de resultados de projetos experimentais e o planejamento de novas etapas administrativas para a instituição.
Durante a abertura dos trabalhos, o reitor Roberto Medronho enfatizou que a gestão atual prioriza a escuta ativa e a busca por soluções compartilhadas para os desafios complexos da universidade. Segundo o dirigente, a construção coletiva é o pilar fundamental para que as ações alcancem eficácia e legitimidade perante toda a comunidade acadêmica.
Metodologias inovadoras buscam reverter altos índices de reprovação em Cálculo
Uma das pautas mais urgentes tratadas na reunião foi a reforma no ensino de Cálculo, disciplina que historicamente apresenta índices de reprovação entre 60% e 90%. Uma iniciativa conjunta entre o Instituto de Matemática e unidades do Centro de Tecnologia (CT) e do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) tem testado novas abordagens pedagógicas para enfrentar esse cenário crítico.
O modelo, iniciado no segundo semestre de 2025 e expandido em 2026, utiliza testes diagnósticos para direcionar os ingressantes. Dependendo do desempenho, os estudantes seguem para a disciplina de Introdução ao Cálculo, focada em reforçar a base escolar, ou para o Cálculo I Experimental. Nesta última modalidade, que utiliza metodologias ativas e monitoria intensiva, a taxa de aprovação saltou para aproximadamente 80%.
A vice-reitora Cássia Turci ressaltou que a contextualização dos conteúdos é vital para o engajamento dos alunos. Para a gestora, demonstrar a aplicação prática de integrais e derivadas em áreas como a Físico-Química transforma a percepção do estudante sobre a utilidade da matéria, reduzindo a evasão escolar, especialmente entre os grupos em situação de maior vulnerabilidade social.
Escritório de Projetos centraliza captação de verbas e promove transparência
A gestão financeira também ocupou lugar de destaque com a apresentação das atividades do Escritório de Projetos pela chefe de Gabinete, Fabiana da Fonseca. A estrutura foi desenhada para oferecer suporte técnico à comunidade universitária na elaboração de propostas e na prospecção de fontes de financiamento externas ao orçamento regular da União.
O escritório articula diferentes frentes de captação estratégica para a universidade:
- Convênios e acordos de parceria com instituições externas;
- Gestão e articulação de emendas parlamentares;
- Recursos da Contribuição Institucional de Projetos (CIP);
- Manutenção predial e supervisão de infraestrutura imobiliária.
Para garantir o controle social, a universidade desenvolve um painel público de transparência. A ferramenta permitirá que qualquer cidadão acompanhe a tramitação dos processos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e verifique a destinação exata dos recursos públicos. A diretora da Escola de Serviço Social, Graciele Costa, pontuou que essa centralização democratiza o acesso às verbas entre as diferentes unidades da UFRJ.
Modernização da avaliação institucional prioriza segurança de dados e agilidade
O encerramento da plenária focou na nova composição da Comissão Própria de Avaliação (CPA), liderada por Rachel Aguiar e Maria do Céu Pinto do Amaral. A principal inovação apresentada foi a migração dos relatórios institucionais, antes feitos em editores de texto convencionais, para formulários eletrônicos integrados ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
Desenvolvidos pela Superintendência-Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação (SGTIC), os novos formulários garantem conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Além de aumentar a segurança das informações, a digitalização acelera a consolidação de dados que fundamentam o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). A meta da CPA é realizar uma radiografia completa da UFRJ, ouvindo todos os segmentos acadêmicos para orientar as futuras políticas universitárias.









