A escolha do novo governador do Rio de Janeiro ganhou mais um capítulo na noite de sexta-feira (27). O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspende a eleição indireta para o cargo.
Decisão de Zanin atende pedido do PSD
A medida atende a uma solicitação do Partido Social Democrático (PSD) no Rio de Janeiro. O partido defende a realização de uma votação direta para definir quem comandará o governo estadual. O PSD busca a escolha popular para o mandato-tampão até 31 de dezembro de 2026.
Justificativa do ministro para a suspensão
A decisão de Zanin foi proferida no mesmo dia em que outra decisão do próprio STF havia validado a eleição indireta. O ministro argumentou em favor do voto direto, divergindo da maioria da Corte. Ele classificou a renúncia do ex-governador Cláudio Castro como uma tentativa de burlar a Justiça Eleitoral.
“A renúncia do governador eleito surge como mecanismo de burla à autoridade da Justiça Eleitoral, excluindo o eleitor e, em consequência, o exercício da soberania popular”, afirmou Zanin. Ele ressaltou que “a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto”.
O que acontece agora no governo do Rio?
Zanin defende a suspensão para garantir a segurança jurídica do processo. Ele solicitou que a decisão final sobre o formato da eleição seja tomada após análise no plenário do Supremo. Enquanto a questão não é resolvida, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, ocupará o posto de governador interino.
Entenda o contexto da crise política no RJ
Desde maio de 2025, o Rio de Janeiro estava sem vice-governador após a renúncia de Thiago Pampolha. Com isso, o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, tornou-se o primeiro na linha sucessória. Contudo, Bacellar foi preso em 3 de dezembro de 2025 na Operação Unha e Carne e afastado da presidência da Assembleia.
Renúncia e cassação de Cláudio Castro
Na segunda-feira (23), o então governador Cláudio Castro renunciou ao cargo, buscando disputar uma vaga no Senado e evitar uma eventual inelegibilidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, o cassou e o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. A decisão do TSE também cassou e tornou inelegível o deputado Rodrigo Bacellar. Após a cassação, a Justiça Eleitoral havia determinado que a Alerj realizasse eleições indiretas.