A renomada professora Helena Theodoro, figura essencial na luta pela valorização das culturas africanas e afro-brasileiras, ganha destaque em uma nova biografia. O livro, intitulado “Dona Helena Theodoro — Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira”, será lançado na Biblioteca Parque Estadual (BPE) nesta quarta-feira (2).
A obra é fruto da pesquisa da aluna Carla Rocha, que, inspirada pela trajetória de sua mentora, explora a história das “Tias Negras”. Essas mulheres são reconhecidas por seu papel fundamental no acolhimento de suas comunidades e na preservação da memória ancestral.
Quem são as Tias Negras?
O conceito das Tias Negras está profundamente ligado ao princípio ancestral africano Bantu: “eu sou, porque nós somos”. Como Helena Theodoro destaca, é uma visão coletiva que contrapõe o individualismo, valorizando a união e a ancestralidade.
Carla Rocha, orientanda de Helena há mais de 30 anos, ressalta a energia e o espírito agregador da professora. “Ela tem um vigor fantástico e quer empoderar todas as pessoas, buscando que todos caminhem juntos”, conta Carla.
Aos 83 anos, Dona Helena mantém uma rotina intensa, dedicando-se a aulas e eventos quase diariamente. Sua paixão pela militância e pelo conhecimento é uma inspiração constante para seus alunos e para a comunidade negra brasileira.
Origem da obra e a surpresa de Helena
A publicação nasceu da tese de mestrado de Carla Rocha, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A ideia de focar em Helena Theodoro partiu de seu orientador, Professor Rafael Haddock-Lobo.
Conhecida por sua proximidade com os alunos, Helena foi convidada a participar da banca de mestrado de Carla sem saber que era o tema central do trabalho. Sua reação ao descobrir a homenagem foi de profunda emoção.
“Quando chego à banca e ele me entrega a tese, começo a chorar. ‘Como você faz isso comigo?’ Foi assim encantador”, revelou Helena, que se tornou a primeira mulher negra a defender uma tese de doutorado em filosofia africana no Brasil, em 1985.
Mais que uma biografia: um estudo filosófico
Helena Theodoro esclarece que o livro não se limita a ser uma biografia pessoal. Ele é, na verdade, um estudo aprofundado de pensamentos filosóficos e de modos de atuação, refletindo sua busca por um conhecimento que transcende a vida individual.
A professora, que segue orientando Carla em seu doutorado, destaca sua participação efetiva na valorização da comunidade negra. Sua militância, iniciada por seus pais, é um legado que ela continua a honrar, mesmo após mais de 30 anos de atuação.
Com pais de ensino superior e militantes ativos, Helena cresceu em um ambiente de coletividade. “Meu pai dizia que minha mãe e as irmãs dela formavam a máfia do bem, porque tudo era coletivo”, lembra, reforçando a visão do Bantu: “eu sou porque nós somos”.