Um levantamento realizado pelo Observatório das Big Techs, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou que diversas plataformas de redes sociais descumpriram as normas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o primeiro turno das eleições de 2026. O estudo identificou a veiculação de anúncios pagos e a recomendação algorítmica de conteúdos de candidatos em pleno domingo de votação, prática proibida pela legislação brasileira.
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Irregularidades na Meta e anúncios de voto falso
A Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, foi a plataforma com o maior volume de irregularidades detectadas. Segundo o NetLab, foram identificados 568 anúncios eleitorais ativos durante o período de restrição. De acordo com as regras do TSE, o impulsionamento de propaganda na internet é vedado desde 48 horas antes até 24 horas após o pleito.
O ponto mais crítico envolveu seis anúncios que simulavam comunicados oficiais da Justiça Eleitoral. Essas peças utilizavam elementos visuais do tribunal para promover a falsa ideia de que seria possível votar remotamente, pelo celular ou de casa, citando dificuldades de locomoção ou chuvas como pretexto. Em alguns casos, os usuários eram induzidos a fornecer o CPF em sites externos, configurando um risco de segurança e desinformação direta ao eleitor.
Propaganda ativa no Kwai e no Google
No Kwai, os pesquisadores encontraram 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação. Outros 45 anúncios tiveram sua data de veiculação estendida de forma irregular para o dia 4 de outubro, permanecendo registrados como ativos no repositório da plataforma. O estudo aponta que houve divergências entre os dados exportados pelo Kwai e as informações exibidas publicamente em sua biblioteca de anúncios, o que dificulta a fiscalização.
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Já na infraestrutura do Google, o monitoramento localizou um anúncio que permanecia ativo de forma irregular no dia da eleição. A empresa afirma possuir políticas rígidas contra anúncios políticos no Brasil, mas o levantamento demonstra que falhas pontuais permitiram a circulação de conteúdo proibido.
Recomendações algorítmicas no YouTube e TikTok
Além da publicidade paga, a legislação eleitoral exige que os sistemas de recomendação das plataformas excluam perfis de candidatos durante o período crítico. No entanto, o NetLab identificou que o TikTok recomendou 18 vídeos de sete candidatos diferentes entre os dias 3 e 4 de outubro. No YouTube, foram registradas recomendações de 17 vídeos de seis candidaturas distintas.
Essa prática é considerada uma violação, pois o algoritmo atua como um impulsionador orgânico de visibilidade para políticos em um momento em que a propaganda é restrita para garantir a igualdade de condições e o silêncio eleitoral.
Desafios de transparência e respostas das empresas
O relatório do NetLab destaca que a falta de transparência das big techs é um obstáculo para a democracia. Divergências de dados e limitações no acesso às API’s impedem um acompanhamento sistemático e preciso por parte da sociedade civil e das autoridades.
Em resposta, a Meta afirmou estar comprometida com a integridade eleitoral e que a amostragem do estudo não reflete a escala total de suas ações. O Google declarou que agiu imediatamente em violações identificadas. O TikTok ressaltou a remoção de milhares de vídeos por violação de políticas de integridade, enquanto o Kwai informou que manteve uma operação especial de moderação e que as regras foram comunicadas previamente aos anunciantes.
Para mais detalhes sobre as normas vigentes, consulte o portal oficial do Tribunal Superior Eleitoral.










