A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou o relatório final que propunha o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão encerrou os trabalhos do colegiado sem a aprovação de um documento conclusivo.
Votação decisiva encerra CPI sem relatório final
O parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi barrado com **seis votos contrários e quatro a favor**. Com este resultado, a CPI do Crime Organizado concluiu suas atividades sem um relatório final formalmente aprovado.
Críticas do presidente da CPI à condução dos trabalhos
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), lamentou a não prorrogação dos trabalhos pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele afirmou que a comissão foi impedida de alcançar os resultados almejados devido à falta de tempo.
Contarato também apontou que o **STF** dificultou a oitiva de depoentes, o que, segundo ele, impediu a coleta de provas. Apesar das críticas, o senador defendeu a importância da instituição para a democracia.
Contarato se posiciona contra indiciamento de ministros
Fabiano Contarato posicionou-se contra o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet. Ele ressaltou a grande responsabilidade do ato de indiciamento, que afeta a reputação e a vida das pessoas.
O senador expressou a esperança de que o Supremo Tribunal Federal faça uma autocrítica. Isso incluiria a revisão de posições, como os *habeas corpus* que impediram diversos depoimentos e o acesso a informações da Polícia Federal.
Senadores divididos na votação do relatório
A votação do relatório refletiu uma clara divisão entre os parlamentares.
Votaram a favor do relatório os senadores: **Alessandro Vieira (MDB-SE)**, **Eduardo Girão (NOVO-CE)**, **Espiridião Amin (PP-SC)** e **Magno Malta (PL-ES)**.
Os votos contrários foram de: **Beto Faro (PT-PA)**, **Teresa Leitão (PT-PE)**, **Otto Alencar (PSD-BA)**, **Humberto Costa (PT-PE)**, **Soraya Thronicke (PSB-MS)** e **Rogério Carvalho (PT-SE)**.
Líder do governo critica foco do relatório
O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório e votou contra. Ele enfatizou que uma CPI deve ser um local de investigação, e não de disputa política.
Wagner apontou que o relatório não indiciou outras figuras relevantes investigadas, como Fabiano Zettel, Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele se recusou a corroborar o que chamou de “sanha de querer atacar o Supremo Tribunal Federal”.
Troca de membros e alegação de interferência política
Houve uma troca de integrantes do colegiado antes da votação, com a entrada dos senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA), substituindo Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES).
O relator Alessandro Vieira imputou a derrota na votação a uma “intervenção direta do Palácio do Planalto”. Ele defendeu o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo.
Vieira afirmou que a decisão de não aprovar o relatório “reflete apenas um atraso na pauta”. Ele acredita que a questão pode não acontecer agora, mas “tem data para acontecer”.
O que a CPI investigou?
Durante **120 dias** de trabalho, a CPI investigou o *modus operandi* de facções e milícias em diversas regiões do Brasil. A investigação incluiu a ocupação territorial por grupos criminosos.
O trabalho também abrangeu crimes relacionados a atividades econômicas, lavagem de dinheiro e infiltração no Poder Público. Um dos casos destacados foi o do Banco Master.
O relatório de **220 páginas** de Vieira propunha um retrato do funcionamento do crime organizado no país e medidas para combater o avanço da criminalidade.