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Início » Relação Brasil-EUA em xeque: Amorim e oposição divergem sobre atritos
Política

Relação Brasil-EUA em xeque: Amorim e oposição divergem sobre atritos

Nrb NewsPor Nrb News12 de agosto de 20264 Minutos de Leitura
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© Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Deputados da oposição e o embaixador **Celso Amorim**, assessor especial da presidência, debateram na Câmara os recentes atritos entre Brasil e Estados Unidos. As divergências foram expostas nesta quarta-feira (12), revelando visões opostas sobre a dinâmica bilateral.

A visão do governo brasileiro

Para **Celso Amorim**, as ações dos EUA, incluindo o recente **tarifaço**, possuem motivação política. Ele argumentou que a Casa Branca, sob **Donald Trump**, busca subordinar a América Latina aos interesses norte-americanos.

O presidente Lula tem reiterado que o Brasil não aceitará medidas unilaterais. Essas ações não podem ser pretexto para relativizar a **soberania nacional** ou impor constrangimentos econômicos.

O embaixador citou um vídeo da diplomacia estadunidense, divulgado na terça-feira (11). O material, lido pelo embaixador dos EUA no Panamá, afirmava que a dominação americana na América Latina não deveria ser questionada.

**Amorim** interpretou o vídeo como uma tentativa clara de relativizar a soberania dos países latino-americanos, incluindo o Brasil.

A crítica da oposição

Parlamentares da oposição responsabilizaram o governo brasileiro pelas ações de Trump. O deputado **Luiz Philippe de Orléans e Bragança** (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores, liderou essa visão.

Ele afirmou que a “atual conversão do Brics em uma linha de frente anti-ocidental” demonstra um padrão de anti-americanismo. Isso priorizou “debate retórico e vaidade pessoal” em detrimento do pragmatismo comercial estratégico.

O Brics é um grupo político e econômico de grandes países emergentes, como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Seus membros frequentemente negam ser anti-ocidentais, citando a participação da Índia, país próximo dos EUA.

**Luiz Philippe** também pediu o “destravamento” do visto diplomático para **Daniel Pérez**, indicado por Washington para embaixador no Brasil. A demora levou os EUA a cancelar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

O deputado **Marcel Van Hatten** (Novo-RS) argumentou que houve uma “agressão à soberania dos EUA” por parte do Brasil. Ele citou o bloqueio de contas de empresas estadunidenses no caso da rede social X.

Para **Van Hatten**, o Brasil se negou a cumprir decisões judiciais, o que foi uma “agressão brasileira à soberania americana”. Ele afirmou que maquiar os fatos é dizer que o tarifaço não tem relação com as ações brasileiras.

As explicações de Amorim

**Celso Amorim** rebateu a tese de que os atritos com a Casa Branca teriam razões ideológicas. O embaixador destacou que o Brasil está aberto a negociar com qualquer governo, independentemente de suas posições políticas.

O governo federal decidiu não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros até as **eleições de outubro**. **Amorim** classificou como “bizarra” a divulgação do indicado para embaixador dos EUA no Brasil antes da aceitação do Itamaraty.

Tal atitude contraria tratados internacionais e a prática diplomática. O embaixador lembrou que os EUA ficaram mais de um ano e meio sem embaixador no Brasil.

Segundo ele, os EUA “às pressas, sem o nosso consentimento, querem creditar outro embaixador” na proximidade das eleições. Para o governo brasileiro, há uma tentativa de **Donald Trump** de interferir nas eleições.

Facções criminosas e risco de intervenção

**Celso Amorim** foi convidado à Comissão de Relações Exteriores para comentar a decisão dos EUA de classificar **facções criminosas** do Brasil como organizações terroristas.

Ele explicou que a medida não pode ser descontextualizada das ações recentes da Casa Branca. Para o Planalto, essa decisão pode ser usada como pretexto para intervenções externas no Brasil, inclusive militares.

“Determinadas interpretações extremas da classificação como terrorista ou narcoterrorista já foram utilizadas para justificar operações de força em outros contextos internacionais”, alertou o embaixador.

**Amorim** enfatizou que a classificação pode ser manipulada geopoliticamente para interferir em assuntos internos brasileiros. Por isso, o governo se posiciona contra essa designação por parte dos EUA.

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