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Início » Bailarina brasileira Bethania Nascimento é homenageada em Nova York e denuncia racismo no balé
Brasil

Bailarina brasileira Bethania Nascimento é homenageada em Nova York e denuncia racismo no balé

Nrb NewsPor Nrb News15 de abril de 20263 Minutos de Leitura
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© Eduardo Patino/Divulgação

A bailarina brasileira Bethania Nascimento F. Gomes, que interpretou o papel principal do balé ‘Pássaro de Fogo’ pela companhia Dance Theatre of Harlem nos anos 2000, retorna aos palcos esta semana para uma homenagem. A celebração ocorre na quinta-feira (16), em Nova York, nos Estados Unidos.

A homenagem marca a reestreia da montagem, com a companhia abrindo sua temporada com a versão afro-caribenha do clássico balé russo. Bethania foi a única brasileira e estrangeira a interpretar o icônico papel em 40 anos da Dance Theatre of Harlem.

Um Legado de Conquistas e Quebra de Barreiras

Em quase todas as versões de ‘O Pássaro de Fogo’, a pena vermelha da ave mítica simboliza a luz que triunfa, um paralelo à trajetória de Bethania. Ela se destaca como uma das dez intérpretes do papel na história da companhia, alcançando o posto de primeira bailarina.

Sua ascensão abriu portas para mulheres negras brasileiras no balé clássico internacional, levando-a a viajar por mais de 20 países. Hoje, Bethania atua como treinadora e coreógrafa em companhias internacionais, dedicando-se também ao legado de sua mãe, a intelectual e autora negra Maria Beatriz Nascimento.

A Voz Contra a Invisibilidade no Balé Brasileiro

Celebrando o reconhecimento internacional, Bethania não ignora a ausência de bailarinas pretas e pardas nos palcos brasileiros. “Esse evento é uma forma de celebrar a nossa história, enquanto mulheres negras, há muita invisibilidade”, protesta.

Ela questiona a sobrerrepresentação de bailarinas brancas no Brasil: “Como é que um país onde a maioria [da população] é afrodescendente, a mulher negra não é representada? Esse é o meu ponto”, criticando a falta de oportunidades.

A Trajetória Pessoal: Superação e Resistência

A trajetória de Bethania foi marcada por episódios de racismo na dança, especialmente no Rio de Janeiro. “Eu passei por muito racismo, injustiça, não consegui seguir uma carreira no meu país, quando o racismo sequer era crime”, disse, referindo-se à tipificação do racismo em 1989, na Lei Caó.

Ela começou no balé aos 9 anos, sentindo-se deslocada por ser a única negra, mas contou com o apoio da mãe para permanecer. Na Dance Theatre of Harlem, Bethania progrediu de aprendiz a primeira-bailarina.

O papel do pássaro em sua vida foi salvador, ajudando-a a lidar com o luto pela morte da mãe em 1995, vítima de feminicídio. Na versão da companhia, o pássaro é uma ave tropical que a reconectou com a natureza brasileira e reverencia sua orixá, Iansã, simbolizando renascimento e resiliência.

Ainda jovem, foi aluna de Consuelo Rios, outra bailarina negra no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No entanto, Bethania desistiu de uma vaga devido a agressões racistas diárias, um problema enfrentado pela própria Consuelo anos antes.

Dance Theatre of Harlem: Inovação e Representatividade Afrofuturista

A companhia Dance Theatre of Harlem, que impulsionou a carreira de Bethania, foi fundada em 1969 pelos bailarinos Arthur Mitchell e Karel Shook. Sua criação ocorreu no auge do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Na montagem afrofuturista do ‘Pássaro de Fogo’, a coreografia é de John Taras, com cenários e figurinos do multiartista Geoffrey Holder, de Trinidad e Tobago. Holder enriqueceu o conto de Igor Stravinsky com cores vibrantes e o conectou à diáspora africana.

Essa versão é icônica para a comunidade da diáspora africana, tanto afro-americana quanto brasileira, pois o território e as narrativas do tráfico transatlântico são essenciais. Bethania destaca que essas histórias reverberam em desigualdades sociais e raciais até hoje.

A bailarina Bethania Nascimento. Foto: Shane Augustus/Divulgação – Shane Augustus/Divulgação

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