O avanço do sarampo em diversos países das Américas, com destaque para um surto significativo nos Estados Unidos, colocou as autoridades de saúde brasileiras em estado de alerta. O Ministério da Saúde intensificou as ações de vigilância e vacinação para impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada no território nacional, especialmente diante do aumento de casos importados registrados em 2026.
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Nos Estados Unidos, o cenário é preocupante: o país enfrenta o maior número anual de diagnósticos em mais de 35 anos. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) revelam que mais de 90% dos infectados são pessoas que não foram vacinadas ou que possuem situação vacinal desconhecida. A maioria dos casos atinge jovens de até 19 anos, evidenciando lacunas na imunização infantil global.
Cenário epidemiológico e casos importados no Brasil
Embora o Brasil tenha recuperado a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo em novembro de 2024, o risco de reintrodução é real devido ao fluxo de viajantes. Até o início de outubro de 2026, foram confirmados 52 casos importados no país. A distribuição geográfica desses registros concentra-se em três estados:
- São Paulo: 41 casos confirmados;
- Amazonas: 10 casos confirmados;
- Rio de Janeiro: 1 caso confirmado.
Para conter a propagação, as equipes de saúde locais realizam a chamada busca ativa e o bloqueio vacinal, que consiste em imunizar rapidamente pessoas que tiveram contato com os infectados. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), além dos EUA, países como Guatemala, México, Peru e Canadá concentram a vasta maioria dos registros no continente este ano.
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Estratégias de vacinação e a dose zero
A principal ferramenta de defesa contra a doença é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. No estado de São Paulo, a estratégia foi reforçada em cidades com grande circulação de pessoas, como a capital, Guarulhos e a região do ABC Paulista. Uma das medidas fundamentais é a aplicação da dose zero para bebês entre 6 e 11 meses de idade.
Essa dose é considerada adicional e não substitui o esquema vacinal de rotina, que deve ser completado aos 12 e 15 meses de vida. A intensificação também ocorre em áreas de fronteira, como a região entre Brasil, Colômbia e Peru, onde o governo federal enviou equipes de apoio para monitorar contatos e realizar investigações epidemiológicas rigorosas.
Recuperação da cobertura vacinal no país
O Brasil vive um momento de retomada das altas coberturas vacinais após um período crítico. Em 2019, o país perdeu o status de livre do sarampo após registrar mais de 20 mil casos. Desde 2023, no entanto, houve uma queda de 86% no número de crianças que não receberam nenhuma dose de vacina, as chamadas crianças zero-dose.
Em 2025, a cobertura da primeira dose da tríplice viral atingiu 93,10% em nível nacional. Em São Paulo, o índice chegou a 94,39%, enquanto no Amazonas ficou em 89,54%. Apesar dos avanços, o Ministério da Saúde ressalta que ainda existem cerca de 50 mil crianças sem nenhuma imunização no país, o que exige esforços contínuos de busca ativa e mobilização social.
O sarampo é uma doença infecciosa grave, altamente contagiosa e que pode evoluir para complicações como pneumonia e encefalite. A vacinação gratuita pelo SUS é a única forma eficaz de prevenção. Pais e responsáveis devem procurar as unidades de saúde para atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes, garantindo a proteção individual e coletiva.











