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Oxfam Brasil alerta: ricos na política aprofundam desigualdade no país

Por NRB News
20 de agosto de 2026
em Brasil
© Espaço do Povo Paraisópolis/Divulgação

© Espaço do Povo Paraisópolis/Divulgação

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A crescente desigualdade de renda no Brasil é significativamente ampliada pela presença desproporcional de indivíduos ricos no cenário político. Uma vez em posições de poder, aqueles que acumulam grande riqueza tendem a moldar leis e regulamentações que não favorecem a justa distribuição de recursos à população.

Essa é a principal conclusão do relatório ‘Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia’. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (19) pela Oxfam Brasil, lançando luz sobre mecanismos de perpetuação das disparidades.

A influência da concentração econômica na democracia

A concentração econômica no país tem um efeito sufocante sobre a democracia, concedendo às elites um poder de veto sobre políticas públicas. Essa influência se estende também à capacidade de moldar e interferir diretamente nos resultados das eleições.

O estudo da Oxfam analisa a dinâmica de quem dispõe de recursos para influenciar e definir as agendas públicas. Essas agendas disputam diretamente a destinação dos recursos comuns, perpetuando um ciclo de privilégios.

No contexto brasileiro, essa engrenagem é historicamente marcada pelo legado da escravidão e pela concentração fundiária. Pesquisadores apontam a capacidade secular das classes dominantes de reorganizar seus privilégios em diferentes ciclos de modernização.

Um fenômeno global: o domínio dos super-ricos

A desigualdade política e econômica não é um problema exclusivo do Brasil, sendo um fenômeno observado em todo o mundo. A Oxfam internacional revelou em seu estudo ‘Resistindo ao Domínio dos Ricos’ que a riqueza dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões no último ano.

Essa ascensão levou a um recorde histórico de US$ 18,3 trilhões em patrimônio acumulado. O relatório aponta que indivíduos super-ricos têm uma probabilidade 4.000 vezes maior de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns, ameaçando as liberdades civis.

O panorama da desigualdade em números

O ‘World Inequality Report 2026’ corrobora essa realidade, mostrando que os 10% mais ricos da população mundial ganham mais do que os 90% restantes. Enquanto isso, a metade mais pobre da população global detém menos de 10% da renda gerada.

No Brasil, o ‘Global Wealth Report 2026’, elaborado pelo banco suíço UBS, posiciona o país como o quarto mundial em desigualdade patrimonial. O relatório indica que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 386 mil milionários em dólar.

A pesquisa do UBS, referência para a Oxfam, revela que aproximadamente 69% da população adulta brasileira permanece na base da pirâmide. Esse grupo possui um patrimônio médio de até R$ 51 mil.

Desafios no combate à pobreza e o papel da tributação

Embora o estudo do banco suíço reconheça avanços recentes, como a saída de quase 9 milhões de pessoas da linha da pobreza, ele conclui que o combate à dinâmica da desigualdade avança pouco. A persistência é mantida, principalmente, pela estrutura tributária nacional.

Essa estrutura ‘penaliza mais a base do que o topo’, sendo blindada ideológica e juridicamente. Os pesquisadores também apontam que corporações de alta tecnologia acentuam o cenário, ampliando seu impacto em diversos campos.

As big techs e as empresas de apostas (Bets) aproveitam a falta de regulamentação para maximizar ganhos em mercados. Elas funcionam como ‘potentes engrenagens de extração econômica e controle social’, segundo o estudo.

Limitações das políticas de transferência de renda e o perfil do poder

A Oxfam critica a limitação das políticas de transferência de renda, apesar de serem necessárias no curto prazo. Uma sociedade pode transferir recursos aos mais vulneráveis e, ao mesmo tempo, preservar intactos os mecanismos fiscais que protegem e multiplicam os patrimônios dos super-ricos.

Sem enfrentar as dimensões patrimoniais, tributárias, raciais, territoriais e de gênero da desigualdade, a melhora dos indicadores médios tende a permanecer limitada e vulnerável, alerta a organização.

A investigação da Oxfam identificou que quem de fato decide sobre essas políticas é um grupo relativamente restrito de pessoas: a direção das burocracias estatais. O perfil ocupante desses cargos decisórios no país é ‘branco, masculino e rico‘.

Essa característica não se limita apenas ao espaço eleitoral, onde o dinheiro desequilibra as disputas. Ela também é encontrada em áreas técnicas, como o Judiciário e os postos decisórios do Executivo, que respondem a uma lógica semelhante.

Tags: CapturademocraciaDesigualdadepoderRiqueza
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