A pesquisa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) revela um marco: as eleições de 2026 terão o maior número de candidaturas indígenas já registradas no país. Ao todo, 191 postulantes declararam sua descendência de povos originários ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Este volume, embora recorde, representa menos de 1% do total de 20.506 pedidos de registro contabilizados pelo TSE até esta segunda-feira (17).
Recorde de candidaturas em 2026
Mesmo com essa proporção, a Apib confirma que este é um recorde histórico, o maior desde 2014, ano em que o TSE começou a exigir dados de cor e raça dos candidatos.
O número atual supera em quase 3% as 186 candidaturas indígenas de 2022 e é 125% maior que as 85 de 2014. Para a Apib, esse crescimento reflete a constante ampliação da participação dos povos originários na política.
Distribuição por cargos
A análise da Apib detalha a distribuição dos 191 candidatos por cargo. A maioria busca cadeiras como deputado estadual (99) ou deputado federal (75). Outras candidaturas incluem 4 para senador, 3 para governador, 3 para deputado distrital, 3 para 1º suplente, 2 para vice-governador e 2 para 2º suplente.
O levantamento também aponta um aumento significativo nas candidaturas a deputado federal, passando de 59 em 2022 para 75 em 2026.
Onde estão essas candidaturas?
As candidaturas indígenas abrangem 26 das 27 unidades da federação, marcando presença nos seis principais biomas do Brasil: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
A região da Amazônia Legal lidera com 80 candidaturas (42%). O Sudeste contribui com 36 postulantes, o Nordeste com 34, o Centro-Oeste com 27 e o Sul com 14.
Os dados do TSE indicam que os candidatos representam 64 etnias diferentes. Os Macuxi de Roraima têm 13 candidaturas, seguidos pelos Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul com 12. Outras etnias destacadas incluem Guaraní (8), Munduruku (7), Mura (6) e Terena (6).
Para a Apib, o crescimento contínuo das candidaturas reflete a “caminhada histórica de resistência e cobrança” dos povos originários por mais espaço e reconhecimento.
Um coordenador da Campanha Indígena da Apib ressalta que essa presença “nasce dos territórios e amplia, com força política, a exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”.
Mulheres indígenas na política
Apesar de uma leve queda de 85 (2022) para 84 candidaturas neste ano, as mulheres indígenas representam 44% do total, superando a média geral feminina (35%). Desde 2014, o número de mulheres indígenas em eleições gerais (29) cresceu cerca de 190%.
Alana Manchineri, da Campanha Indígena, destaca que “esse avanço carrega a força das mulheres que organizam as lutas nos territórios e ampliam sua presença nos espaços de decisão”.
Apoio e projeto político
A Apib e organizações regionais apoiam 54 candidaturas, forjadas na base do movimento com o projeto político coletivo “Nosso Território, Nossa Vida“.
Alana Manchineri explica que essa “bancada indígena” é fruto de indicações das organizações de base da Apib. O projeto visa colocar os territórios no centro das decisões e incentiva candidatos a incorporarem as propostas do movimento.